terça-feira, 17 de agosto de 2010

O caçador de pipas .

Estou perdido em uma tempestade de neve . O vento assobia , atirando pedacinhos
de gelo que espetam meus olhos . Vou cambaleando , os pés afundado em camadas
daquelas brancura fofa . Grito por socorro , mas o vento não deixa que os meus
gritos sejam ouvidos . Caio e fico ofegando na neve , perdido naquela imensidão
branca , com o lamento do vento soando nos meus ouvidos . Vejo que a neve está
apagando minhas pegadas " Agora sou um fantasma " penso eu , " um fantasma sem
pegadas " . Volto a gritar , com a esperança sumindo com as marcas dos meus
passos . Dessa vez , porém , há uma resposta longínqua . Protejo os olhos com as
mãos e dou um jeito de me sentar . Além das cortinas flutuantes de neve , tenho
a breve visão de algo se movendo , um borrão de cor . Uma forma familiar se
materializa . Uma mão se estende na minha direção . Vejo profundos talhos
paralelos cortanto a sua palma e o sangue escorrendo , Tingindo a neve . Seguro
aquela mão e , de repente , a neve desaparece . Estamos em um campo de relva
verde - clara e macios flocos de nuvens deslizam o céu . Olho para cima e vejo o
céu claro e coalhado de pipas verdes , amarelaas , vermelhas , laranjas . Elas
cintilam à luz do entardecer .

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